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June 26 God, I feel so strooooooooooooooooooooooooong HELLO HOORAY (Alice Cooper)
Hello! Hooray! Let the show begin,
I've been ready. Hello! Hooray! Let the lights grow dim, I've been ready. Ready as this audience that's coming here to dream. Loving every second, ev'ry moment, ev'ry scream, I've been waiting so long to sing my song And I've been waiting so long for this thing to come. Yeah - I've been thinking so long I was the only one.
Roll out! Roll out with your American dream and its recruits, God, I feel so strong. I feel so strong. ( A musica originalmente é do Rolf Kempf, mas a versão de Tia Alice é a the best) June 25 Journal from the darkness - Days 16-20 Hoje suspendi o citalopram. Ainda não tinha sentido nenhum efeito, mas a tarde fui bater uma punheta e o pau levou uma eternidade para subir. Nada poderia me deixar mais deprimido do que isso, então citalopram fora, o médico me disse que eu poderia suspender de uma vez, já que as doses eram pequenas e eu havia tomado apenas por uma semana. Ele falou para mim dobrar a dose da bupropiona, mas já não estou com vontade de ficar me enchendo de remédios. Foda vai ser se eu suspender tudo e as crises voltarem... June 19 Journal from the darkness -Day 15 Ontem andei 20 km, fui 2 vezes do canal 1 até o aquário e voltei. O citalopram ainda não disse a que veio, fora a secura da boca. Pelo menos, pude sacar melhor o material que eu tenho do A Blue Ocean Dream, um projeto do sueco Owe Enfestav. Sempre achei que fosse um projeto americano, talvez por ser da Different Drum, mas isso seria quase um milagre (apesar de que Anything Box e Book of Love SÃO milagres). Um refrão não me sai da cabeça:
And all the things that I forgot to say Eu sempre achei ABOD do caralho, mas é muito mais do que eu pensava mesmo. Talvez o Stephan Groth tenha finalmente encontrado um rival a altura.Para quem tenha ficado curioso, é só dar uma olhada em Vale a pena, e ainda dá pra baixar um novo remix de The sound of the 80´s, que também é uma puta música.Estou indo trabalhar daqui a pouco, devo ficar uns dias fora do ar. Ontem me passaram uns exercícios que me pareceram fascinantes, mas só vou poder tenta-los quando voltar. As vezes, as melhores soluções estão nas coisas mais simples, e eu não quero ficar tomando esses remédios para sempre... June 18 Journal form the darkness - Days 10-14 Os últimos dias estavam transcorrendo normalmente,mas na 6a feira, já no carro onde ia para São Paulo com meu médico, a ansiedade começou a me perturbar terrivelmente. Quando ele me largou no centro, disse que eu poderia dobrar a dose da bupropiona, desde que não fosse a noite, pois poderia tirar ainda mais o (pouco) sono. Ele me prescreveu para a noite citalopram, mas em pequenas doses, ao menos no início. Aonde isso vai parar?
No sábado, passeando pelo shopping light, perto do viaduto do chá, tive uma inexplicável crise de choro. Foi a primeira vez que isso aconteceu após começar com os remédios, e as condições não eram propícias para que eu caísse em depressão. Confesso que fiquei preocupado. Mas pelo menos por enquanto minha libido parece não ter sido afetada e isso já é uma grande coisa. Sempre quis que o primeiro disco do Bad Cock, caso saia um algum dia, se chamasse "To fuck and to kill", porque sempre achei que são os instintos mais primais do ser humano, ou seja quem não pode fazer um, tem que se extravazar na outra maneira. Candidatos para isso não faltam... June 13 Journal from the darkness - Day 9Ontem tive uma crise, a 1a após começar a tomar o remédio. Tive uma discussão virtual que me exasperou e aí começou de novo essa porra. Mas nada que uma caminhada de 10km com While we can, do Droom ,remixado pelo Syrian, não resolvesse.O Syrian vem tocar em SP dia 22, nem gostei muito do Alien nation, mas acho que deveria ir, sair da toca um pouco, ver gente de verdade, não fulanas@hotmail.com, ah ah ah ah...
Me sinto acuado e temporariamente derrotado, as pessoas estão com uma noção erronea a meu respeito, mas vou ficar na minha por enquanto. Estratégia de batalha: recuar para contra atacar. Mas eu só tenho uma certeza:
NO ONE BEATS ME AT THIS GAME
June 11 Journal from the darkness - Days 7 & 8Passo cada vez mais tempo em frente ao monitor e quando percebo, não postei nada nem fiz nada, a apatia começa a me dominar, mas de certa forma é melhor do que esquentar tanto a cabeça a ponto de ficar no inferno em que mergulhei.
Tenho feito caminhadas de 8 a 10km, pelo menos o remédio me causa uma certa euforia que me permite isso, mas ainda é desagradável passar pela calçada da praia quando tem uma concentração de gente nos banquinhos, me sinto como o Peter Parker alertado pelo sentido de aranha,quando vou me aproximando, e já começo a antever como reagiria a um possível ataque, calcular todos os movimentos possíveis, teria que dar um golpe possivelmente mortal no primeiro que avançasse, isso faria com que os outros hesitassem e daria tempo de matar mais um, aí provavelmente os outros correriam.
É fácil matar uma pessoa, tem áreas tão frageis no corpo humano, que não resistem a uma boa pancada ou a uma torção no pescoço ou espinha.
Dizem que devemos a descoberta dos pontos mortais a um principe hindu que se interessava pelo assunto. Ele usava escravos para enfiar-lhes finas agulhas, até descobrir pontos que os matassem instantaneamente. Cruel? Sim, mas a gente só descobre que o fogo queima quando nos queimamos. E depois , provavelmente, ele não teria conseguido fazer isso com algum Spartacus, isso quer dizer que talvez os sacrificados não tenham sido grande perda. Seleção natural, apenas isso. Vc fode com alguém, depois encontra outra pessoa que fode melhor e faz a troca. Não eu, lógicamente, eu acrescento não substituo. Se Jesus podia amar todo mundo, porque eu não posso também? June 09 Journal from the darkness - Day 6Estou há mais de uma hora aqui em frente a esse monitor, sem postar nada, vejo as pessoas entrarem e saírem do msn, e até gostaria de falar com algumas delas, mas não consigo chama-las, inclusive uma menina bem bonita está online no msn agora e ela é amiga de vários amigos meus, mas não consigo lembrar quem ela é, pensei em chama-la e perguntar-lhe se nos conhecemos e como ela foi parar no meu msn, mas não consigo. Estou travado aqui, então só quis registrar o fato. Não acho que consiga escrever muito mais do que isso agora... Journal from the darkness - Days 4 and 5Nem pude postar, estava trabalhando. Na 5a feira, as crises de choro voltaram, mas ao que parece, temporariamente, a apatia voltou logo depois, e minha vontade de quebrar a cara de alguém também. Com certeza, a descompressão sexual é responsável por isso, eu estava transando tipo 20 e tantas vezes por semana e isso se reduziu a nada, num episódio cheio de lances mal explicados, mas agora já foi, e eu não deveria ficar remoendo isso, afinal, boceta e bolacha em toda parte se acha. Pelo menos, é nesse mood que minha criatividade musical aflora mais facilmente, tenho tentado colaborar com várias pessoas, mas a verdade é que ainda continuo me sentindo mal, muito mal... June 06 Journal from the darkness - Day 3Hoje tomei um remédio inteiro pela primeira vez. Ainda é cedo para sentir alguma diferença.
Eu me lembro de uma antiga história do Sargento Rock, muito adiantada para a época (final dos 50s ou início dos 60s) pela profundidade com que abordava seus temas.Nessa história em particular, a Companhia da Moleza recebe um novo soldado, um cara bem durão, que ao avistar o soldado Jack Johnson, negro, diz ao sargento:-Pensei que não recebiam tipos como esse nessa companhia, sargento. Rock responde: Aqui na Moleza (Easy Company, no original) Só existe uma cor: a do uniforme. E não se meta com Jack, ele foi campeão mundial dos pesos pesados.
-Pouco me importa- responde o soldado
Após mais uma provocação a Jack, que nunca reage a elas, Bulldozer, um barbudão gigantesco toma partido e desfere um socão na cara do provocador. Ele responde com uma frase que adotei para sempre: -Nas montanhas de onde venho, qualquer menino bate mais forte que isso.
Os dois se atracam, mas Jack os separa e tenta mais uma vez contemporizar:
-Soldado, acho que estamos todos do mesmo lado. Que tal esquecermos tudo isso? -e estende a mão fraternalmente.
-De onde venho, quando alguém como você estende a mão, a gente faz isso...
E joga uma moeda na mão de Jack, que a cerra e não a solta mais.
As batalhas vão se desenrolando, mas Jack está sempre com a mão apertada, segurando aquela moeda, e o sargento percebe que "aquela maldita moeda vai continuar queimando a mão de Jack".
Até que finalmente, na batalha derradeira, o soldado chato leva um tiro e vai ser esmagado por um tanque. Jack o segura e atravessa uma barreira de soldados alemães, sempre protegendo o soldado que carrega no ombro. Quando ele finalmente consegue chegar junto à companhia, Rock percebe que Jack também havia levado um tiro.
No hospital, Jack recebe a visita do soldado, que o agradece e faz um pedido:
-Pode me devolver aquela moeda?
-Eu a estava guardando para você, soldado... e solta-a da mão.
Rock olha em nossa direção e diz: -Como eu disse antes, aqui na Moleza só existe uma cor, a do uniforme.
Do caralho mesmo, Joe Kubert era genio.
Eu tb tenho a minha moeda, quer dizer não é bem uma moeda, mas carrego comigo e está me queimando a cada dia que passa.Pensei muito nisso, quando resolvi tomar esses remédios, que podem me afetar para o resto da vida, mas não vi outra opção. Não aguentaria passar o inferno desse fim de semana de novo,não acho que fosse capaz de sobreviver. Mas minha batalha ainda está apenas começando. Acho que essa porra ainda nem começou a fazer efeito de verdade... Journal from the darkness -Day 2Ontem, caminhei do canal 1 até o aquário e voltei em menos de uma hora. A porra do remédio me deixou agitadaço, mas teve pelo menos uma ocasião em que eu teria chorado se estivesse no mesmo estado das últimas semanas, mas isso nem me passou pela cabeça ontem. Eu diria que foi um começo promissor.
Hoje fiquei bastante agitado, até um pouco agressivo, mas a companhia de amigos e um bom rango baixaram minha crista. Não era bem o que eu precisava, mas era o que tinha e sou grato por isso.
Ontem e hoje tomei meio comprimido, amanhã, tomarei um inteiro... June 04 Journal from the darkness - Day 1Hoje, comecei meu tratamento com cloridrato de bupropiona. Devo começar também algum tipo de terapia, mas não posso pagar por ela, então o jeito é esperar que me encaixem em algum programa gratuito. Eu era avesso a remédios, sempre li que a maioria diminui libido,apesar de que o médico me garantiu que não é o caso deste. De qualquer modo, leva pelo menos uma semana até eu sentir qualquer diferença.
Não posso deixar de pensar naquela história do Batman, venom (publicada em legends of the dark night, a partir do numero 5): Batman entra numa galeria pluvial para salvar uma menininha sequestrada e que estava com a perna presa debaixo de uma pedra. A galeria começa a encher e Batman não tem força para remover a pedra e a menina morre. Ele vai procurar o pai dela, um cientista que está desenvolvendo uma droga anabolizante super potente e quase instantanea, e a recusa da primeira vez, mas ao levar uma surra de um dos sequestradores (um cara enorme) ele toma a pílula. Quase instantaneamente, ele volta onde estava o gigantão e acaba com ele, mas a droga começa a afetar a sua personalidade também e ele fica cada vez mais descontrolado. É um dos contos mais tenebrosos de Bats, e hoje estou me sentindo igual a ele ao ingerir uma substancia desconhecida, cujos efeitos não são totalmente previsíveis. Penso então no desespero que me levou a fazer isso.
A sensação causada por uma crise de depressão é impossível de descrever. Há taquicardia e respiração ofegante, mas esses são os menores dos males. A outra sensação não é dor, nem nada, mas é a sensação mais terrível que já experimentei, e até entendo porque muitos recorrem ao suicídio para escapar dela. Para mim, ainda é cedo, então recorri a esse remédio. Vamos ver onde isso vai dar... Perto das trevasWilliam Styron é o autor de "A escolha de Sofia" e um premiado escritor americano. Em 1985, no seu aniversário de 60 anos, ele teve uma crise depressiva grave, que quase o levou ao suicídio. Seu livro "Perto das trevas" (Darkness visible) conta a sua experiencia em lidar com a depressão, desde seus infrutíferos e paliativos tratamentos médicos até suas reminiscencias de escritores e poetas que chegaram ao suicídio pela mesma razão.
A leitura desse livro me fez admitir que estou doente faz tempo, mas como no caso de Styron, as crises se intensificaram recentemente, e ainda que, como o próprio autor descreve, tratamentos e remédios são apenas paliativos, já que não existe cura, não vejo outra saída senão recorrer a eles.
Tentarei fazer um relatório diário da possível evolução do meu quadro aqui, ou ao menos, deixar uma espécie de legado, ainda que não saiba bem para quem... |
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